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06/07/05

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Bem-vindo ao histórico de nossa Sociedade!

Nas linhas a seguir, você conhecerá uma síntese de nossa história contada pelo nosso querido e saudoso irmão Adelino Borba, fundador e primeiro presidente da Sociedade Espírita Simão Pedro, em entrevista ao Informativo Nova Era no ano de 2002, e novamente publicada em Dezembro de 2003 por acasião de seu desencarne.

Entrevista com Adelino Borba

Fundação da SESP

 Irmão Adelino nos conta como tudo começou.

 Pergunta —    Sr. Adelino, o senhor pode nos contar como iniciou a SESP ?

 Irmão AdelinoEu, em 1955, estava construindo  uma pequena casa para mim, no terceiro Distrito de Viamão, Passo do Feijó, (agora Alvorada).  Tinha comprado um terreno (à prestação). Nesta época eu já tinha conhecimento da doutrina Espírita(através do Sr. Carlos Pursk), mas, como era católico, ainda não aceitava.

            Entretanto, dado  à força  das circunstâncias, com enfermidade no lar e grande desespero, resolvi assistir  as orientações espíritas e observei que era realmente o que faltava em minha vida. Então comecei a ajudar a construir  a  Sociedade Espírita Paulo de Tarso, na Estrada do Forte, Vila Ipiranga, em Porto Alegre.  Foi onde conheci o irmão Pedro Carlos de Oliveira, e tivemos grandes afinidades. Juntos passamos a freqüentar a FERGS buscando orientações para as pessoas carentes que não tinham ninguém por elas. Fazíamos tudo o que nos era possível, quando não era necessária a nossa presença na “Paulo de Tarso”. Nesta época,  iniciamos aqui a evangelização da infância e Juventude, ou seja, das novas gerações. Construí nos fundos de minha casa, com retalhos de madeira, uma pecinha de dois por quatro metros, onde fabricávamos brinquedos para o natal da criança pobre. Esses brinquedos eram distribuídos para crianças que nunca tinham visto sequer algum em suas mãos. Isto nos entusiasmou muito, pois as crianças ao receberem um brinquedo em suas mãos choravam de alegria, tal a sua pobreza e necessidade. Esses brinquedos foram distribuídos na Paulo de Tarso por dois anos. Depois na mesma sociedade não nos foi mais permitida a distribuição desses brinquedos. Então o irmão Pedro Carlos de Oliveira me acompanhou para o Passo do Feijó.

            A partir daí ampliamos nossa sociedade, construindo no porão de minha casa um lugar mais amplo onde trabalharíamos com as crianças.

            Desempenhando este trabalho, certa vez o irmão Pedro Carlos de Oliveira, teve um sonho-revelação, dizendo-me: “Irmão Adelino, sonhei com uma árvore muito frondosa, e seus ramos estavam cheios de pombinhas e pássaros pequenos. As pombas maiores revoavam sobre a árvore e não tinham onde pousar.” Então, interpretando o sonho, vimos que havia uma grande necessidade de fundarmos uma Sociedade Espírita para atender não só as crianças, mas também os adultos em busca das coisas divinas.

            Comecei, então, a fazer a escavação no porão de minha casa, onde foram retirados trinta e cinco caminhões de terra(isso tudo eu fazia nos meus dias de folga). No porão foi construído um pequeno salão. Tinha sala de passes e receituário, e um pequeno local onde funcionava a farmácia homeopática.

            No dia 18 de abril  de 1957, às 20 horas, iniciamos  a primeira palestra nessa casa. A partir desta data o Irmão Pedro Carlos e eu passamos a dedicarmo-nos mais às palestras espíritas, sendo que, desde então, não ficou um sábado  sequer  sem palestra, indo à FERGS e também à Santa Casa de Misericórdia dar assistência aos necessitados.

            Dado meu horário profissional, não era possível estar no horário da noite, ficando os trabalhos a cargo  dos irmãos  Pedro Carlos de Oliveira, Elvira da Silva Borba e Sebastião Rodrigues Garibalde dos Santos.

            As palestras eram proferidas aos sábados devido à minha folga profissional. Só foram convocados os trabalhadores quando tudo já estava pronto.

            O prédio foi feito com minhas economias. Quando  começamos, tínhamos 48 cadeiras espalhadas, uma mesa de minha varanda e um armário de cozinha transformado em estante para livros.

            Tínhamos duas salas para passes e o salão para palestras.

            Nós éramos chamados a todo instante. Não havia hora do dia e nem da noite para atender os irmãos obsedados. Nós saíamos de bicicleta ou de carro e, muitas vezes, de caminhão de carga. Atendíamos em locais bem distantes, até onde nossas pernas e forças permitissem, pois íamos também a pé. A importância do trabalho era tão grande  que a casa já estava pequena, pois ficavam muitas pessoas assistindo às palestras no corredor ou na rua, com chuva ou frio, e, muitas vezes, até com crianças no colo.

                        E, dado às grandes necessidades, resolvemos  ampliar  nossa sociedade. Como não tínhamos meios suficientes, começamos a intensificar a confecção dos brinquedos para que, além da distribuição gratuita no natal, pudéssemos também vender o excedente para angariar fundos e assim conseguir meios para a compra de um terreno próximo à minha casa. Terreno esse que nos foi vendido pelo irmão João Alves Ferreira, meu colega de trabalho na companhia Souza Cruz. Foi feita uma transferência de contrato para esta Sociedade, onde, então, foi construído o primeiro prédio da SESP, sendo restituído ao irmão João Alves o valor já pago, sendo que assumi o restante das prestações pela Sociedade. Este terreno está localizado na Esquina da Artur Garcia com Maria do Carmo.

 Pergunta — E o receituário iniciou junto com a Sociedade

 irmão Adelino - Não. Quando ainda não tínhamos recursos no Passo do Feijó, e muitas pessoas necessitadas  nos procuravam, como trabalhava na companhia Souza Cruz, me propus a levar os nomes e endereços e tirar consultas para pessoas que nos procuravam. A maior parte dos necessitados eram crianças. Levava as informações, então,  na  Sociedade Bezerra de Menezes, às duas horas. Indo a pé, deixava-as com a irmã Amália, que era a receitista daquela Casa. Os medicamentos  eu pagava-os todos do próprio bolso.

            Passou-se algum tempo, não me lembro exatamente a data, em que cheguei na Sociedade Bezerra de Menezes         para esperar o receituário e, para minha surpresa, a irmã Amália, concentrando-se no seu trabalho,  disse-me: “Irmão Adelino, o Dr. Bezerra de Menezes está presente e falou-me  que hoje tu deves tirar o receituário.” Fiquei espantado e, com grande surpresa, quase desmaiei, mas entendi o pedido do Dr. Bezerra de Menezes. Curvei-me com grande humildade e pedi forças para que ele me ajudasse, porque não tinha conhecimento nenhum. Não encontrei dificuldades.

            Irmã Amália novamente concentrou-se e disse-me: Dr. bezerra de Menezes está aqui lhe dizendo que de hoje em diante o receituário seja feito em vossa própria sociedade, e que ele estará sempre  dando o seu apoio para a realização dos trabalhos.”

 

 

 
 

Adelino Borba (26/07/1927 a 02/12/2003)

 

 

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Este site foi atualizado em 19/05/05